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Como falar de dinheiro com o outro progenitor sem mais uma discussão

As despesas partilhadas podem reabrir discussões antigas. Uma forma mais calma de falar de dinheiro quando os filhos vivem entre duas casas.

Pela RelationQPublicado 7 min de leitura

Duas canecas fumegantes numa mesa de madeira

Uma visita de estudo, umas chuteiras novas, a conta do dentista. A despesa em si pode ser simples, mas pedir ao outro progenitor que pague a parte dele muitas vezes não é.

Um dos pais pode sentir que anda sempre atrás dos pagamentos. O outro pode sentir-se questionado, pressionado ou confrontado com decisões com que nunca concordou. Quando dás por isso, uma mensagem sobre 40 € transformou-se em mais uma conversa difícil.

Não vão estar de acordo em todas as despesas, e não precisam de estar. O que ajuda é uma forma justa e previsível de lidar com os custos, para que haja menos decisões a negociar do zero.

Porque é que as conversas sobre dinheiro aquecem

Depois de uma separação, o dinheiro pode ter mais peso do que o valor em causa. Um pedido para dividir uma conta pode levantar perguntas como estas:

  • Estou a pagar mais do que me cabe?
  • Porque é que ninguém me perguntou antes de marcar isto?
  • O outro progenitor percebe o que posso pagar?
  • Sou sempre eu a tratar de tudo e a pagar?
  • Posso confiar que vamos cumprir o que combinámos?

Às vezes estas preocupações vêm de desentendimentos antigos. Outras vezes vêm de pressões atuais, de rendimentos diferentes ou de expectativas que nunca ficaram claras. Nenhum dos pais tem de estar a ser pouco razoável para a conversa correr mal, e é por isso que ajuda separar a despesa que tens à frente de tudo o resto que ela levanta.

Sabe o que o vosso acordo atual já cobre

Antes de discutires uma despesa extra, confirma o que o vosso acordo de pensão de alimentos já cobre. Algumas famílias têm um acordo privado; outras têm um definido por um serviço público ou por um tribunal. O que conta como despesa partilhada, e a forma como tem de ser paga, depende das leis e dos acordos que se aplicam a ti.

Uma visita de estudo ou uma despesa médica podem já estar cobertas, por isso não partas do princípio de que têm de ser divididas à parte. Se tiveres dúvidas, pergunta ao serviço oficial de pensão de alimentos do teu país, a um advogado de família qualificado ou a um mediador familiar. As sugestões abaixo servem para a coordenação do dia a dia e não substituem obrigações legais nem acordos formais.

Combinem as regras antes de chegar a próxima conta

É mais fácil decidir quando ninguém está à espera de um pagamento urgente. Se for seguro e viável cooperarem, pensa num pequeno acordo por escrito que responda a cinco perguntas:

  • Que despesas são partilhadas? Separem o que a pensão regular cobre daquilo que, se for o caso, precisa de ser discutido à parte, como visitas de estudo, atividades, fardas, tratamentos médicos ou material.
  • Como as vão dividir? Para algumas famílias funciona dividir a meias. Outras dividem conforme os rendimentos, o que cada um pode pagar ou o tipo de despesa. Escolham uma solução justa para a vossa situação e que respeite os requisitos legais que se apliquem.
  • Que despesas precisam de acordo prévio? Combinem um valor a partir do qual falam os dois sobre uma despesa não urgente antes de alguém se comprometer, e decidam como tratar despesas urgentes ou necessárias quando não há tempo para perguntar.
  • Como vão funcionar os pagamentos? Decidam como partilham os recibos, quando se fazem os reembolsos e onde guardam os registos. Um documento partilhado ou uma conversa de mensagens só para isto pode chegar.
  • Quando o vão rever? As necessidades dos filhos crescem, os rendimentos mudam e as atividades ficam mais caras. Escolham um momento razoável para voltar a olhar para ele, como o início do ano letivo ou depois de uma grande mudança na vossa situação.

O acordo não precisa de ser complicado, só claro o suficiente para os dois saberem com o que contar.

Como falar de uma despesa inesperada

Quando surge uma despesa de que ainda não falaram, mantém a mensagem objetiva e concreta:

  1. Explica a despesa

    «A visita de estudo custa 60 € e tem de ser paga até dia 3.»

  2. Partilha os detalhes

    «Envio-te a informação da escola.»

  3. Lembra o vosso acordo, se tiverem um

    «Combinámos dividir as visitas de estudo a meias.»

  4. Faz um pedido claro

    «Consegues transferir 30 € até dia 1?»

Assim o outro progenitor tem o que precisa para responder, sem ter primeiro de reagir a uma crítica. Se a despesa não foi combinada antes, pergunta se deve ser partilhada e de que forma, e não apresentes a divisão que preferes como se fosse uma obrigação.

Mais algumas coisas que podes dizer, para uma despesa que não combinaram, um valor que não consegues pagar, um pedido de aviso com antecedência e um pagamento que chegou:

Coisas que podes dizer
  • «Ainda não combinámos isto. Podemos decidir como fazer antes de o pagamento ter de ser feito?»
  • «Este mês não consigo pagar esse valor. Podemos ver outra forma de fazer?»
  • «Estou disponível para falarmos das despesas partilhadas, mas gostava que combinássemos antes de marcar atividades que não são urgentes.»
  • «Obrigado, já recebi a transferência.»

As mensagens não têm de ser calorosas nem longas. Claras e respeitosas chega.

Quando não concordam sobre o que é justo

Mesmo com um plano por escrito, às vezes não vão concordar. Um vê uma atividade como essencial; o outro vê-a como opcional ou impossível de pagar. Discutir sobre quem se preocupa mais raramente resolve alguma coisa. É mais útil perceber onde está realmente a diferença:

  • É sobre se a despesa é necessária?
  • É sobre quanto cada um consegue pagar?
  • É por ninguém ter perguntado antes?
  • A divisão proposta vai contra um acordo que já existe?

Quando sabes qual é o desacordo, podes falar dessa decisão em concreto. Numa despesa não urgente, podem escolher uma alternativa mais barata, esperar ou combinar outra divisão. As despesas necessárias e os pagamentos exigidos por lei devem ser tratados de acordo com as obrigações que se aplicam, e não adiados por não estarem de acordo. Se continuarem a chegar a um impasse, um mediador familiar pode ajudar, quando a mediação for adequada e segura.

Deixa os filhos fora do desacordo

Os filhos podem aperceber-se das dificuldades financeiras, mas não deviam ter de gerir os desacordos dos pais. Sempre que puderes, não peças a uma criança que passe pedidos de pagamento, que explique porque é que o dinheiro não chegou ou que tome partido sobre quem deve pagar, e tenta que não se sinta responsável por uma discussão sobre uma atividade. Fala dos pagamentos diretamente com o outro progenitor, ou através de um canal que tenham combinado os dois. O desacordo é dos adultos.

Quando o dinheiro é usado para controlar

Nem todo o conflito por causa de dinheiro é um desacordo normal. Reter dinheiro para castigar alguém, fazer depender os pagamentos de um contacto que a outra pessoa não quer, fazer ameaças ou usar a dependência financeira para controlar outra pessoa podem ser sinais de abuso financeiro ou de controlo coercivo. Escolher melhor as palavras não torna esse tipo de interação mais segura.

Não tens de negociar diretamente com alguém que te ameaça ou te controla. Aconselhamento jurídico, um serviço de apoio a vítimas de violência doméstica ou outro profissional adequado podem ajudar-te a perceber que opções mais seguras tens. Se tens preocupações com a tua segurança, põe a tua segurança e o bem-estar dos teus filhos à frente de chegar a um acordo informal.

A pequena mudança que conta

Nem sempre vão estar de acordo. Mas com expectativas mais claras, acordos realistas e alguns limites na forma como falam, é menos provável que uma conta inesperada se transforme numa discussão sobre a relação toda, e a próxima conversa pode ser um pouco mais fácil.

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